Polícia Civil e Ministério Público cumprem mandados da Operação Vectura Corrupta; investigação aponta suspeita de financiamento eleitoral por integrantes da facção criminosa
O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (17) durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação investiga um grupo suspeito de manter vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de atuar em esquemas de influência sobre atividades econômicas e políticas na Baixada Santista.
Segundo as investigações, a campanha de Danilo Morgado à Prefeitura de Praia Grande, nas eleições de 2024, teria recebido apoio financeiro da organização criminosa. A Polícia Civil e o Ministério Público apuram se integrantes da facção participaram do financiamento e da estrutura de campanha do candidato.
Danilo Morgado foi encaminhado para os procedimentos da Polícia Judiciária e permanece à disposição da Justiça.
Operação Vectura Corrupta mira integrantes do PCC
A Operação Vectura Corrupta cumpre mandados de prisão, busca e apreensão em diversas cidades do Estado de São Paulo.
Além de Praia Grande, há diligências em Santos, Cubatão, São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo e Diadema.
De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, a operação tem como alvo núcleos ligados ao PCC suspeitos de atuar em diferentes frentes criminosas, incluindo lavagem de dinheiro, infiltração em atividades econômicas e financiamento de campanhas políticas.
As investigações fazem parte de um conjunto de ações contra a estrutura financeira da facção no Estado.
Investigação aponta financiamento da campanha de 2024
Segundo os investigadores, há indícios de que a campanha de Danilo Morgado à Prefeitura de Praia Grande, em 2024, tenha sido financiada por integrantes do PCC.
O inquérito apura a origem dos recursos utilizados durante a campanha e possíveis conexões entre pessoas ligadas ao candidato e integrantes da organização criminosa.
As autoridades ainda investigam a participação de outros envolvidos e o fluxo financeiro relacionado ao caso.
Até o momento, a Polícia Civil e o Ministério Público não divulgaram detalhes sobre os valores investigados nem sobre todos os elementos reunidos no inquérito.
Esposa também foi alvo de outra operação
A esposa de Danilo Morgado, Luciene Athaydes, também aparece nas investigações conduzidas pelo Ministério Público.
No início deste mês, ela foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Helmintos.
Essa operação investiga um grupo suspeito de lavar aproximadamente R$ 1 bilhão e de ampliar a influência do PCC sobre atividades econômicas na Prefeitura de Praia Grande.
A Operação Helmintos segue em andamento e tramita paralelamente à Vectura Corrupta.
Defesa diz que prisão é irregular
Em nota, a defesa de Danilo Morgado afirmou que considera a prisão irregular.
Os advogados classificaram a medida como uma perseguição política por ocorrer durante o período eleitoral e afirmaram esperar que os fatos sejam esclarecidos ao longo da investigação.
Segundo a defesa, a prisão teria ocorrido “às vésperas da eleição” e a legalidade da decisão será questionada nos autos do processo.
Até a publicação desta reportagem, a Justiça não havia se manifestado sobre os argumentos apresentados pela defesa.
TRE havia liberado candidatura nesta semana
A prisão ocorre poucos dias depois de uma decisão da Justiça Eleitoral envolvendo a candidatura de Danilo Morgado.
Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia indeferido o registro da candidatura por falta de comprovação do pagamento de multas eleitorais referentes às eleições de 2022, quando Morgado disputou o cargo de deputado federal.
Nesta semana, porém, o TRE-SP acolheu recurso apresentado pela defesa e deferiu a candidatura ao cargo de deputado estadual.
A decisão permitiu que o candidato permanecesse na disputa eleitoral.
Operação amplia investigações sobre influência do PCC na Baixada Santista
A Operação Vectura Corrupta integra uma série de investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil para apurar a atuação financeira e política do PCC na Baixada Santista.
Os investigadores apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, uso de empresas para ocultação de patrimônio e tentativa de influência da organização criminosa em atividades públicas e privadas.
As investigações continuam sob sigilo e novas diligências não estão descartadas.
A Polícia Civil e o Ministério Público afirmam que outros desdobramentos poderão ocorrer conforme o avanço das apurações.
Reportagem: Angela Costa – TV Guarujá
Informações: Polícia Civil de São Paulo, Ministério Público de São Paulo (MPSP), Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).












