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Governo reajusta Bolsa Família em 15,04% e piso sobe para R$ 691 a 17 dias das eleições

Novo valor começa a ser pago em 19 de outubro e benefício médio deverá chegar a R$ 777; medida provoca reação de adversários de Lula e já foi questionada no TSE

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. Com a mudança, o benefício mínimo garantido às famílias passará dos atuais R$ 600 para R$ 691.

O valor médio estimado também aumentará, passando de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o decreto que atualiza os valores do programa, com efeitos financeiros a partir de outubro.

Os novos pagamentos começam no dia 19 de outubro, entre o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e um eventual segundo turno, previsto para o dia 25.

O anúncio foi feito a 17 dias do primeiro turno e provocou reação imediata de adversários de Lula na disputa presidencial, que acusaram o governo de utilizar o programa com finalidade eleitoral.

O governo rejeita essa interpretação e afirma que o reajuste corresponde à recomposição da inflação acumulada desde a reformulação do Bolsa Família, em março de 2023.

Piso passa de R$ 600 para R$ 691

O reajuste será aplicado aos valores que compõem o Bolsa Família.

O benefício mínimo garantido por família, atualmente de R$ 600, passará para R$ 691.

Já o valor médio estimado pelo governo sobe de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.

O valor efetivamente recebido por cada família pode variar conforme sua composição e os benefícios adicionais previstos pelo programa.

A atualização corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.

Desde a reformulação do Bolsa Família em 2023, o piso de R$ 600 não havia recebido uma correção geral.

Benefícios adicionais também serão reajustados

A atualização não ficará restrita ao piso de R$ 691.

Os componentes adicionais do programa também serão corrigidos.

O Benefício de Renda de Cidadania, atualmente fixado em R$ 142 por integrante da família, passará para R$ 164.

O adicional destinado a crianças de até 6 anos, atualmente de R$ 150, será elevado para R$ 173.

Já os adicionais de R$ 50 destinados, entre outros grupos previstos no programa, a gestantes e crianças e adolescentes passarão para R$ 58.

As regras de elegibilidade do Bolsa Família permanecem vinculadas aos critérios de renda e às demais exigências estabelecidas pelo programa.

Pagamentos começam em 19 de outubro

Os novos valores começarão a ser pagos na folha de outubro.

O calendário terá início em 19 de outubro e continuará seguindo o número final do Número de Identificação Social (NIS) dos beneficiários.

A data chama atenção por estar inserida no calendário eleitoral.

O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro.

Caso nenhum candidato à Presidência obtenha a maioria necessária no primeiro turno, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Dessa forma, os primeiros pagamentos com os valores reajustados ocorrerão seis dias antes da eventual segunda votação presidencial.

Reajuste terá impacto de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano

Segundo os cálculos apresentados pela equipe econômica, o aumento representará um custo adicional de aproximadamente R$ 5,8 bilhões aos cofres públicos em 2026.

Para 2027, o impacto estimado chega a R$ 22,7 bilhões.

O governo afirma que o custo adicional deste ano poderá ser absorvido dentro das disponibilidades orçamentárias existentes e sustenta que a medida não comprometerá as metas fiscais.

A adequação do valor necessário para 2027 deverá ser incorporada à discussão orçamentária do próximo ano.

Governo diz que aumento apenas repõe inflação

O governo Lula sustenta que o reajuste não representa a criação de um novo benefício social nem uma ampliação extraordinária do programa.

A justificativa apresentada é que os 15,04% correspondem à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023, quando o atual formato do Bolsa Família foi instituído, e agosto de 2026.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também defende que a correção inflacionária está prevista na legislação do programa e que, por esse motivo, a medida não configuraria a criação de novo benefício em período eleitoral.

Essa interpretação, entretanto, passou a ser contestada por adversários políticos do presidente.

Flávio Bolsonaro chama reajuste de “ato de desespero”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial, criticou o anúncio durante um compromisso de campanha em Vitória da Conquista, na Bahia.

Flávio classificou a decisão como um “ato de desespero” e questionou a legalidade da edição do decreto a poucos dias das eleições.

O candidato também argumentou que Lula decidiu promover agora uma correção que não havia realizado anteriormente durante o atual mandato.

As declarações representam a posição política do candidato do PL e não constituem decisão da Justiça Eleitoral sobre a legalidade do reajuste.

Caiado acusa governo de “uso eleitoreiro”

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) também criticou o momento escolhido para anunciar a medida.

Caiado afirmou que não é contrário ao apoio financeiro destinado às famílias em situação de vulnerabilidade, mas acusou o governo de fazer “uso eleitoreiro” do programa ao anunciar o reajuste a 17 dias do primeiro turno.

O candidato também criticou o impacto fiscal da decisão.

Romeu Zema (Novo), outro candidato à Presidência, também questionou o reajuste e criticou seus efeitos sobre as contas públicas.

Renan Santos anuncia ação no TSE

O candidato Renan Santos (Missão) também reagiu ao anúncio e afirmou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.

Durante compromisso de campanha em Chapecó, Santa Catarina, Renan classificou a medida como eleitoreira e afirmou que buscará impedir o reajuste na Justiça Eleitoral.

As acusações de “compra de voto” feitas pelo candidato constituem uma avaliação política e jurídica apresentada por ele e não uma conclusão do TSE.

Qualquer eventual questionamento apresentado à Justiça Eleitoral deverá ser analisado conforme a legislação aplicável e as circunstâncias específicas do decreto.

Deputado já tentou barrar reajuste no TSE

Além das manifestações dos candidatos, o reajuste já provocou uma primeira ação no Tribunal Superior Eleitoral.

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) apresentou nesta quinta-feira uma representação questionando a medida e alegando possível abuso de poder político.

O processo foi distribuído ao ministro André Mendonça.

Ainda na noite desta quinta-feira, Mendonça rejeitou a ação e extinguiu o processo sem resolução do mérito.

O ministro concluiu que Zé Trovão, candidato a deputado federal por Santa Catarina, não tinha legitimidade para apresentar a representação contra Lula, que disputa a Presidência da República.

Mendonça não analisou se reajuste é legal ou ilegal

A decisão de André Mendonça não resolveu a discussão jurídica sobre o reajuste.

O ministro não analisou o mérito das alegações apresentadas contra o decreto.

Isso significa que o TSE não decidiu, nesse processo, se a atualização do Bolsa Família viola ou não a legislação eleitoral.

A ação foi encerrada por uma questão processual relacionada à legitimidade do autor.

Outros questionamentos poderão ser apresentados por partes que preencham os requisitos previstos na legislação eleitoral.

Medida também é questionada no Tribunal de Contas

O decreto também passou a enfrentar questionamentos fora da Justiça Eleitoral.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União apresentou representação pedindo a suspensão cautelar da medida.

O questionamento envolve aspectos orçamentários e fiscais relacionados ao reajuste e às estimativas apresentadas pelo governo.

O pedido ainda depende de análise pelo Tribunal de Contas da União e não significa que o decreto tenha sido suspenso.

Até o momento, o reajuste permanece válido e os novos valores estão previstos para começar a ser pagos em outubro.

Bolsa Família atende milhões de famílias

O Bolsa Família é o principal programa federal de transferência de renda destinado à população em situação de pobreza.

Atualmente, aproximadamente 19 milhões de famílias recebem pagamentos do programa em todo o país.

Para permanecer no Bolsa Família, os beneficiários precisam atender aos critérios de renda estabelecidos pelo governo e cumprir as condicionalidades previstas nas áreas de saúde e educação.

Com o decreto assinado nesta quinta-feira, o piso de R$ 600 será elevado pela primeira vez desde a reformulação do programa em 2023.

Enquanto o governo apresenta a medida como recomposição do poder de compra das famílias diante da inflação, adversários questionam o momento do anúncio e seus impactos eleitorais e fiscais.

A controvérsia deverá continuar tanto na campanha presidencial quanto nos órgãos de controle e na Justiça Eleitoral.

Reportagem: Angela Costa – TV Guarujá

Informações: Governo Federal, Ministério do Planejamento e Orçamento, Advocacia-Geral da União, Tribunal Superior Eleitoral e Tribunal de Contas da União

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