Polícia Civil investiga organização formada por colombianos suspeita de operar esquema de empréstimos ilegais conhecido como “gota a gota”; um homem foi preso na Ponta da Praia
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (9) a Operação Bogotá contra uma organização criminosa suspeita de movimentar R$ 52,5 milhões por meio de um esquema de empréstimos ilegais e lavagem de dinheiro.
A ação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em endereços localizados em Santos, Guarujá e na capital paulista.
Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado é formado por colombianos e utilizava um sistema de empréstimos informais conhecido como “gota a gota”.
As investigações apontam que o esquema envolvia a cobrança de juros considerados abusivos e que ameaças e violência teriam sido utilizadas para cobrar as dívidas.
Suspeito foi preso na Ponta da Praia
O alvo do mandado de prisão temporária foi localizado em um quarto de sublocação no bairro Ponta da Praia, em Santos.
No imóvel, os policiais apreenderam dois celulares e um notebook.
Os equipamentos serão submetidos à análise pericial e poderão fornecer novos elementos sobre a movimentação financeira e a atuação do grupo investigado.
As equipes também realizaram buscas em outros endereços relacionados ao investigado.
Por se tratar de prisão temporária realizada durante uma investigação em andamento, a medida não representa condenação.
Esquema “gota a gota” está no centro da investigação
De acordo com o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter-6), Luiz Carlos do Carmo, a organização atuava por meio do chamado “gota a gota”.
O sistema consiste na concessão de empréstimos informais, geralmente acompanhados de juros elevados e cobranças frequentes.
Segundo a investigação, no caso apurado pela Polícia Civil, as cobranças também envolveriam ameaças e violência contra os devedores.
A polícia busca identificar a estrutura completa do esquema, os responsáveis pela concessão dos empréstimos, a forma como as cobranças eram realizadas e o caminho percorrido pelo dinheiro.
Investigação aponta movimentação de R$ 52,5 milhões
A dimensão financeira é um dos principais pontos da Operação Bogotá.
Segundo a Polícia Civil, as investigações identificaram movimentação de aproximadamente R$ 52,5 milhões relacionada ao esquema.
A apuração também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.
Os investigadores buscam esclarecer a origem e o destino dos recursos e identificar os mecanismos que teriam sido utilizados para movimentar e ocultar valores provenientes das atividades investigadas.
Documentos, celulares e computadores apreendidos durante as diferentes etapas da investigação têm sido utilizados para reconstruir essas movimentações.
Investigação começou em maio
As apurações tiveram início em meados de maio de 2026, quando a Polícia Civil de Registro identificou indícios do esquema de agiotagem.
A investigação é conduzida pela Delegacia Seccional de Polícia de Registro e contou, nesta etapa, com apoio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos.
Com o avanço das diligências, os policiais chegaram a diferentes pessoas e endereços relacionados ao caso.
Segundo o delegado seccional de Registro, Marcelo Freitas, a apreensão de celulares, computadores e documentos durante as operações anteriores forneceu elementos para aprofundar as investigações.
Polícia identificou 41 pessoas durante as apurações
Ao longo da investigação, 41 pessoas foram identificadas no contexto do esquema apurado pela Polícia Civil.
Parte delas já foi presa durante fases anteriores das operações.
A responsabilidade individual de cada investigado, entretanto, deverá ser estabelecida a partir das provas reunidas e da análise judicial de cada caso.
A Polícia Civil continua trabalhando para esclarecer a estrutura hierárquica do grupo, identificar outros possíveis participantes e determinar como funcionava a circulação do dinheiro.
Operação chegou a Santos, Guarujá e São Paulo
A nova etapa ampliou as diligências para diferentes endereços na Baixada Santista e na capital.
Dos 12 mandados judiciais cumpridos nesta quarta-feira, 11 eram de busca e apreensão e um de prisão temporária.
A presença de alvos em Santos e Guarujá coloca a Baixada Santista diretamente entre as regiões investigadas no esquema.
Os materiais recolhidos serão analisados pela Polícia Civil e podem levar a novos desdobramentos.
Apurações continuam
A Operação Bogotá faz parte de uma investigação ainda em andamento.
A Polícia Civil deverá agora concentrar parte das diligências na análise dos aparelhos eletrônicos e demais materiais apreendidos.
A perícia poderá auxiliar na identificação de transações financeiras, contatos entre investigados, registros de empréstimos e outros elementos relacionados ao funcionamento do esquema.
As autoridades também continuam investigando as suspeitas de agiotagem, lavagem de dinheiro, organização criminosa e eventuais crimes praticados durante as cobranças.
Novas operações e prisões poderão ocorrer caso outros elementos sejam identificados no decorrer das investigações.
Reportagem: Angela Costa – TV Guarujá
Informações: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e Polícia Civil













