Tribunal do Júri aplicou penas entre 20 e 23 anos de prisão pelo assassinato de Gilianderson dos Santos, morto a tiros em uma cadeira de rodas dentro da emergência do hospital
O Tribunal do Júri de Guarujá condenou três homens pelo assassinato de Gilianderson dos Santos, de 37 anos, executado a tiros dentro do Hospital Santo Amaro, em Guarujá, em abril de 2022.
Entre os condenados está o médico ortopedista Alexandre Pedroso Ribeiro, de 58 anos, apontado pela acusação como responsável por facilitar a ação dos executores dentro da unidade hospitalar.
Também foram condenados Sandro Vieira Conceição e Vitor Hugo Assunção.
As penas aplicadas aos três variam entre 20 e 23 anos de prisão, em regime inicial fechado.
O julgamento foi encerrado na noite de quinta-feira (10), sob a presidência da juíza Isadora Monteiro Moreira.
Paciente foi executado dentro da emergência
O crime ocorreu em 24 de abril de 2022.
Gilianderson estava internado no Hospital Santo Amaro depois de ter sido baleado dois dias antes.
Na ocasião do assassinato, ele estava em uma cadeira de rodas na sala de emergência e aguardava alta hospitalar.
Foi nesse momento que homens armados entraram na unidade e efetuaram os disparos contra o paciente.
Gilianderson morreu no local.
A execução dentro de uma unidade hospitalar provocou grande repercussão em Guarujá e deu início a uma investigação que buscou identificar não apenas os autores dos disparos, mas também quem teria fornecido informações para possibilitar a entrada e a localização da vítima.
Médico foi acusado de facilitar execução
Durante a investigação, Alexandre Pedroso Ribeiro passou a ser apontado como participante do crime.
De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público, o médico teria utilizado sua posição dentro do Hospital Santo Amaro para fornecer informações privilegiadas sobre a localização de Gilianderson.
Essas informações teriam facilitado a entrada dos responsáveis pela execução e permitido que eles encontrassem a vítima dentro da unidade.
A participação atribuída ao médico foi submetida ao Conselho de Sentença e reconhecida pelos jurados durante o julgamento.
Sandro e Vitor foram apontados como executores
Sandro Vieira Conceição e Vitor Hugo Assunção foram apontados pela investigação como os homens envolvidos diretamente na execução dentro do hospital.
Segundo a acusação, eles entraram na unidade para cumprir a ordem de matar Gilianderson.
As investigações relacionaram os dois ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A acusação sustentou que a morte teria sido determinada por integrantes da organização criminosa em um contexto de “tribunal do crime”.
Durante as investigações realizadas em 2022, a Polícia Civil também apreendeu elementos que ajudaram a reconstruir a atuação dos envolvidos e as circunstâncias que antecederam o assassinato.
Vítima já havia sofrido ataque dois dias antes
Um dos elementos importantes da investigação foi o fato de Gilianderson ter sido baleado antes de ser assassinado no hospital.
Dois dias antes da execução, ele havia sofrido um ataque a tiros.
Ferido, foi levado para atendimento médico e permaneceu internado no Hospital Santo Amaro.
Segundo a investigação, integrantes da organização criminosa teriam descoberto onde Gilianderson estava internado e organizado uma nova ação para matá-lo.
Foi nesse contexto que a acusação atribuiu ao médico a função de fornecer informações que teriam possibilitado a localização da vítima.
Crime ocorreu em local destinado ao atendimento de pacientes
A execução chamou atenção também pelas circunstâncias em que ocorreu.
Gilianderson estava dentro de um hospital, em uma cadeira de rodas e sob atendimento médico quando foi morto.
A investigação precisou reconstruir como os executores conseguiram entrar na unidade, localizar exatamente onde a vítima estava e realizar o ataque.
A apuração sobre a existência de apoio interno tornou-se, por isso, uma das partes centrais do processo.
O Ministério Público sustentou essa tese durante a ação penal, que culminou no julgamento dos três réus pelo Tribunal do Júri.
Julgamento termina mais de quatro anos após o crime
O julgamento realizado em Guarujá ocorreu mais de quatro anos depois do assassinato.
Durante o Tribunal do Júri, acusação e defesas apresentaram suas versões e provas aos jurados, responsáveis por decidir sobre a responsabilidade criminal dos réus.
Ao final, o Conselho de Sentença acolheu a acusação e os três homens foram condenados.
As penas estabelecidas variam entre 20 e 23 anos de reclusão, com cumprimento inicialmente em regime fechado.
A condenação pelo Tribunal do Júri representa uma nova etapa do processo. As defesas ainda podem utilizar os recursos previstos pela legislação brasileira.
Caso marcou Guarujá pela ousadia da execução
O assassinato de Gilianderson dos Santos teve grande repercussão pela forma como foi praticado: a vítima foi localizada e executada dentro de uma das principais unidades hospitalares de Guarujá.
As investigações avançaram sobre a atuação dos responsáveis pelos disparos e sobre a suspeita de participação de uma pessoa que tinha acesso à estrutura interna do hospital.
Mais de quatro anos depois, o caso chegou ao julgamento pelo Tribunal do Júri, que reconheceu a responsabilidade criminal dos três réus submetidos a julgamento.
Com a sentença, Alexandre Pedroso Ribeiro, Sandro Vieira Conceição e Vitor Hugo Assunção receberam penas superiores a duas décadas de prisão.
O processo, entretanto, ainda poderá ter novos desdobramentos nas instâncias judiciais caso sejam apresentados recursos contra as condenações.
Reportagem: Angela Costa – TV Guarujá
Informações: Tribunal de Justiça de São Paulo, Ministério Público de São Paulo e Polícia Civil












