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Caso Ruy Ferraz: um ano após execução, oito estão presos e investigação busca esclarecer cadeia de comando

Ex-delegado-geral da Polícia Civil foi morto em emboscada em Praia Grande em setembro de 2025; 12 pessoas foram denunciadas, três permanecem foragidas e apuração sobre o planejamento do crime continua

Um ano após a execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, o assassinato que chocou a Baixada Santista ainda mantém frentes de investigação abertas.

Ruy foi morto em 15 de setembro de 2025, em Praia Grande, pouco depois de deixar a Prefeitura, onde exercia o cargo de secretário municipal de Administração.

Doze pessoas foram denunciadas no processo relacionado ao assassinato. Oito estão presas, três permanecem foragidas e uma mulher responde em liberdade.

Paralelamente ao processo sobre a execução, as autoridades continuam apurando a cadeia de comando e as circunstâncias que levaram ao assassinato.

A principal linha investigativa relaciona o crime à atuação histórica de Ruy no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente a prisões de integrantes da facção realizadas durante sua carreira.

Emboscada aconteceu após Ruy deixar a Prefeitura

Ruy Ferraz Fontes deixou o prédio da Prefeitura de Praia Grande no fim da tarde de 15 de setembro de 2025 e seguiu de carro pelas ruas da cidade.

Segundo as investigações, criminosos monitoravam os movimentos do ex-delegado e aguardavam o momento para iniciar o ataque.

Ruy percebeu a ação e tentou escapar.

Durante a perseguição, o veículo que dirigia acabou colidindo e capotando. Os criminosos se aproximaram e efetuaram dezenas de disparos, incluindo tiros de fuzil.

O ex-delegado, de 64 anos, morreu no local.

A ação foi registrada por câmeras de monitoramento e ocorreu em poucos minutos.

Criminosos monitoravam os passos do ex-delegado

A investigação conseguiu reconstruir parte da preparação e da execução do assassinato por meio de imagens, dados telefônicos, impressões digitais e outras evidências reunidas durante o inquérito.

Uma das informações identificadas pelos investigadores indica que integrantes do grupo mantiveram uma chamada de vídeo durante a ação.

Para os investigadores, a comunicação teria permitido que diferentes integrantes acompanhassem em tempo real a movimentação de Ruy e coordenassem a emboscada.

O planejamento do assassinato teria começado pelo menos seis meses antes da execução.

Nesse período, o grupo teria providenciado veículos, armas e imóveis utilizados como pontos de apoio.

Veículo utilizado na fuga foi incendiado

Depois da execução, os criminosos deixaram o local e um dos veículos utilizados na ação foi posteriormente encontrado incendiado.

A destruição do automóvel é investigada como uma tentativa de eliminar vestígios que pudessem auxiliar na identificação dos envolvidos.

O trabalho policial, entretanto, permitiu reunir uma série de elementos utilizados posteriormente para identificar e localizar suspeitos.

Prisões foram realizadas em diferentes etapas da investigação entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

Oito investigados permanecem presos

Um ano depois do assassinato, oito pessoas apontadas nas investigações permanecem presas.

Entre elas estão William Silva Marques, Felipe Avelino da Silva, conhecido como “Mascherano”, Cristiano Alves da Silva, chamado de “Cris Brown”, Paulo Henrique Caetano de Sales e Marcos Augusto Rodrigues Cardoso.

Também permanecem presos Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como “Manezinho” ou “Manoelzinho”; Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, chamado de “Azul” ou “Careca”; e Marcio Serapião de Oliveira, conhecido como “Velhote” ou “MC”.

Os investigados são apontados pelas autoridades como participantes de diferentes etapas do planejamento, apoio logístico ou execução do crime.

As responsabilidades individuais são analisadas no processo judicial, e as defesas podem contestar as acusações apresentadas.

Três denunciados continuam foragidos

Além dos oito presos, três denunciados permanecem foragidos.

Uma mulher que chegou a permanecer presa por aproximadamente dois meses responde ao processo em liberdade.

Com isso, o processo reúne atualmente 12 denunciados: oito presos, três foragidos e uma pessoa em liberdade.

O caso ainda não tem data definida para eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.

Investigação aponta vingança ligada à atuação contra o PCC

Ruy Ferraz Fontes construiu uma carreira de mais de quatro décadas na Polícia Civil e ficou conhecido por sua atuação no combate ao crime organizado em São Paulo.

Ele participou de investigações e operações contra integrantes do PCC e esteve envolvido em prisões de criminosos ligados a roubos a bancos.

A principal linha apresentada pelas autoridades relaciona a execução a uma vingança contra o ex-delegado por sua atuação policial.

Investigadores identificaram entre os envolvidos pessoas que já haviam sido alvo de ações conduzidas por Ruy anos antes.

As autoridades também investigaram a participação de integrantes ligados ao PCC no planejamento do assassinato.

Preparação do crime teria começado meses antes

As investigações indicam que a morte de Ruy não foi uma ação improvisada.

O grupo teria iniciado os preparativos em março de 2025, aproximadamente seis meses antes da execução.

Durante esse período, veículos foram obtidos para utilização na operação e imóveis teriam servido como bases de apoio.

Os investigadores também reconstruíram deslocamentos e contatos entre os envolvidos para identificar as funções desempenhadas por cada integrante do grupo.

A complexidade da preparação é um dos elementos utilizados pelas autoridades para sustentar que houve planejamento prévio e divisão de tarefas.

Segundo inquérito aprofunda apuração sobre cadeia de comando

Embora as investigações tenham avançado sobre a execução e o planejamento, uma das principais questões do caso continua sendo esclarecer completamente a cadeia de comando responsável pela morte do ex-delegado.

Uma segunda frente de investigação foi aberta para aprofundar a apuração sobre quem participou da determinação e organização do assassinato.

Em janeiro deste ano, três homens apontados pela Polícia Civil como integrantes da estrutura responsável pelo planejamento foram presos durante uma operação.

As autoridades relacionam os investigados ao crime organizado e à atuação de Ruy contra assaltantes de bancos e integrantes do PCC durante sua carreira.

A investigação continua para esclarecer integralmente como a ordem para o assassinato circulou entre os envolvidos e identificar eventuais participantes ainda não responsabilizados.

Ruy Ferraz dedicou mais de 40 anos à Polícia Civil

Ruy Ferraz Fontes teve uma extensa trajetória na segurança pública paulista.

Ao longo de mais de quatro décadas na Polícia Civil, ocupou diferentes funções e chegou ao cargo de delegado-geral da instituição.

Também teve atuação destacada no enfrentamento ao crime organizado e em investigações envolvendo integrantes do PCC.

Depois de deixar a Polícia Civil, passou a atuar na administração municipal de Praia Grande.

Na época em que foi assassinado, ocupava o cargo de secretário municipal de Administração.

Um ano depois da execução, o processo contra os acusados continua em andamento enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público trabalham para esclarecer todos os níveis de participação no crime.

Reportagem: Angela Costa

Informações: Polícia Civil de São Paulo, Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e Ministério Público de São Paulo

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