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Lula diz que agronegócio deveria “não só votar, mas se ajoelhar” diante de recursos destinados pelo governo

Presidente fez declaração durante comício em Florianópolis e questionou resistência de parte do setor ao seu governo; Lula também citou recursos do Plano Safra e abertura de mercados para produtos brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado (19) que representantes do agronegócio deveriam “não só votar, mas se ajoelhar” para ele diante dos recursos destinados pelo governo federal ao setor.

A declaração foi feita durante um ato de campanha realizado na Praça Tancredo Neves, no Centro de Florianópolis, em Santa Catarina.

Ao falar sobre a relação de seu governo com o agronegócio, Lula questionou os motivos pelos quais parte do setor mantém resistência ao PT, apesar dos recursos públicos disponibilizados para financiar a produção agrícola.

O presidente também sugeriu que a rejeição poderia estar relacionada à sua origem social e regional.

Lula questiona por que parte do agro não apoia seu governo

Durante o discurso, Lula chamou ao palco Gelson Merísio (PSB), candidato ao Governo de Santa Catarina apoiado pelo presidente.

Lula sugeriu que Merísio promovesse uma conversa com representantes do agronegócio catarinense para questionar os motivos da resistência ao governo federal.

Ao abordar o assunto, o presidente afirmou:

“Por que eles não gostam de nós? Porque o problema contra nós, acho que é uma questão de pele, porque sou nordestino ou porque eu sou pobre.”

Na sequência, Lula relacionou o apoio financeiro disponibilizado pelo governo ao setor à posição política de produtores rurais.

“Tinham que não só votar, mas se ajoelhar para mim”, afirmou Lula

Ao continuar o discurso, o presidente afirmou que, caso a relação fosse determinada pelos recursos destinados ao agronegócio, o setor deveria apoiá-lo eleitoralmente.

“Porque, se dependesse de dinheiro do governo, eles tinham que não só votar, mas se ajoelhar para mim, porque nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”, declarou.

A afirmação ocorreu durante um evento eleitoral e representa a avaliação política feita pelo próprio presidente sobre a relação de seu governo com o agronegócio.

Governo lançou novo Plano Safra neste ano

Entre as medidas utilizadas pelo governo para sustentar a afirmação sobre o volume de recursos destinados ao campo está o Plano Safra 2026/2027.

O programa federal disponibiliza linhas de crédito e financiamento para produtores rurais, cooperativas e diferentes segmentos da produção agropecuária.

Durante o ato em Santa Catarina, Lula utilizou os recursos disponibilizados ao setor como argumento para contestar a resistência política de parte do agronegócio ao seu governo.

O presidente afirmou que nunca houve tanto dinheiro destinado à agricultura quanto durante sua atual gestão.

Lula também destacou abertura de mercados internacionais

Além dos recursos destinados ao financiamento agrícola, Lula mencionou a abertura de novos mercados internacionais para produtos brasileiros.

Segundo o presidente, seu governo ampliou as possibilidades de exportação do agronegócio por meio de negociações comerciais e sanitárias com outros países.

Durante o discurso, Lula afirmou que foram abertos 118 mercados relacionados a produtos de interesse de Santa Catarina.

O estado possui forte participação na produção e exportação de carnes suína e de aves, além de outros produtos agropecuários.

Declaração ocorreu durante campanha eleitoral

A fala foi feita durante a primeira agenda de campanha de Lula em Santa Catarina nas eleições de 2026.

O presidente disputa a reeleição e participou do ato acompanhado de candidatos e lideranças dos partidos que integram sua coligação.

Além de Gelson Merísio, participaram do evento a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja; Angela Albino (PDT), candidata a vice-governadora; e os candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL), entre outras lideranças.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.

Relação com o agronegócio entrou no discurso eleitoral

O agronegócio voltou a ocupar espaço no debate eleitoral durante a passagem de Lula por Santa Catarina.

Embora o governo destaque o volume de crédito disponibilizado e a abertura de mercados internacionais como resultados favoráveis ao setor, segmentos do agronegócio mantêm divergências políticas e econômicas com o governo federal.

No discurso deste sábado, Lula atribuiu parte dessa resistência a questões políticas e chegou a levantar a possibilidade de preconceito relacionado à sua origem nordestina e pobre.

A afirmação foi apresentada pelo presidente como sua interpretação sobre a resistência de parte do setor e não como uma constatação objetiva sobre as razões individuais dos produtores rurais.

Com a aproximação do primeiro turno, previsto para 4 de outubro, a relação entre governo, agronegócio e eleitorado catarinense passa a integrar o discurso dos candidatos na reta final da campanha.

Reportagem: Angela B. Costa

Informações: Presidência da República e dados oficiais do Governo Federal

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