Integrante da alta cúpula do PCC é preso em academia da Enseada, no Guarujá
Gralber Compri era foragido há um ano pela Polícia Federal; atuava como interlocutor direto de Marcola e foi condenado por lavagem de mais de R$ 74 milhões
A TV Guarujá acompanha uma operação de grande repercussão realizada nesta quarta-feira (7) no município. Em ação conjunta entre a Polícia Federal e a Polícia Militar de São Paulo, foi preso Gralber Compri, apontado pelas autoridades como integrante da alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). A captura aconteceu dentro de uma academia de ginástica localizada no bairro Enseada, em Guarujá.
A captura
A prisão foi realizada por agentes do 21º Batalhão de Polícia Militar do Interior (21º BPM/I), em parceria com equipes da Polícia Federal de Santos, após trabalho de inteligência que localizou o foragido na região da Praia da Enseada. Ao perceber a aproximação dos policiais, Compri tentou fugir, mas foi detido sem resistência à força ou ferimentos.
Com ele, foram apreendidos:
- Dois aparelhos celulares
- Documentos falsos em nome de terceiros
- Cartões bancários falsificados
Todo o material foi recolhido e encaminhado junto com o preso à Delegacia de Polícia Federal em Santos, onde foram formalizados os procedimentos legais.
Quem é Gralber Compri
Gralber Compri era procurado há aproximadamente um ano pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Hauler, deflagrada na cidade de Araraquara, no interior paulista. Ele possui condenação definitiva de 17 anos de reclusão por participação em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 74 milhões.
Segundo a Polícia Militar, Compri esteve preso entre 2013 e 2015 na Penitenciária de Presidente Venceslau, onde conviveu diretamente com Marcos Willians Herbas Camacho — conhecido como Marcola, líder máximo do PCC, que está encarcerado desde 1999. Dessa convivência surgiu a relação de confiança que o levou a se tornar o interlocutor direto de Marcola fora dos muros da prisão, atuando como elo de comunicação entre o líder preso e a organização criminosa.
O que diz a Operação Hauler
A Operação Hauler, da Polícia Federal, investiga um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado no estado de São Paulo. O grupo investigado utilizava empresas de fachada e contas de laranjas para dissimular a origem de recursos provenientes de tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas. A condenação de Compri confirmou seu papel central na estrutura financeira da facção.
Por que a prisão é considerada estratégica
As autoridades classificam a captura como uma das mais importantes dos últimos anos na Baixada Santista. Por ocupar um posto na cúpula financeira e ser o canal de comunicação direto com Marcola, Compri detinha informações sobre movimentações financeiras, logística e comando da facção em toda a região. A PF já iniciou a análise dos celulares e documentos apreendidos, que podem revelar nomes de outros envolvidos, rotas de dinheiro e possíveis locais de armazenamento de drogas e armas.
Próximas etapas
Após os procedimentos na Delegacia Federal em Santos, Gralber Compri será transferido para o sistema penitenciário federal, onde começará a cumprir a pena de 17 anos. A investigação da Operação Hauler prossegue e novas prisões podem ocorrer nas próximas semanas. As autoridades reforçam que denúncias sobre atividades criminosas podem ser feitas de forma anônima nos canais oficiais da Polícia Federal e da Polícia Militar.
✍️ Angela B. Costa — TV Guarujá
Fontes: Polícia Federal (PF), Polícia Militar de São Paulo (PM-SP / 21º BPM/I), Tribunal de Justiça Federal











