André Mendonça liberou análise de relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro destinadas a Alexandre de Moraes; episódio aprofunda crise interna na Corte
O ministro André Mendonça liberou para julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o caso envolvendo o relatório da Polícia Federal que aponta comunicações entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A movimentação processual foi registrada no domingo (6). Agora, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, definir quando o caso será analisado pelos ministros da Corte.
O relatório da PF reúne informações extraídas do celular de Vorcaro e passou a ocupar o centro de uma das mais graves crises internas recentes do Supremo.
O material contém 52 mensagens enviadas entre outubro e novembro de 2025 por Vorcaro a um número atribuído a Moraes. Entre os assuntos registrados estão pedidos de ajuda feitos pelo então banqueiro em meio às investigações que antecederam sua prisão.
Moraes já negou ter recebido as mensagens mencionadas no relatório.
Mendonça retirou sigilo do relatório
O documento foi produzido pela Polícia Federal após determinação de André Mendonça, que era responsável pela condução do caso relacionado ao Banco Master no Supremo.
Mendonça posteriormente retirou o sigilo do relatório e encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando manifestação sobre os elementos encontrados.
A PGR, comandada pelo procurador-geral Paulo Gonet, contestou o procedimento adotado e defendeu a anulação do relatório.
Um dos principais questionamentos é se Mendonça poderia ter determinado diretamente à Polícia Federal a produção de material envolvendo outro integrante do STF sem autorização prévia do Plenário ou da Procuradoria-Geral da República.
Com a liberação do processo para julgamento, essa controvérsia deverá ser enfrentada pelos próprios ministros do Supremo.
Relatório aponta mensagens de Vorcaro
Segundo as informações tornadas públicas, as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro incluem pedidos relacionados às investigações que atingiam o Banco Master.
Em uma delas, o ex-banqueiro chegou a questionar Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil diante do avanço das apurações.
Também aparecem referências a outras autoridades, entre elas o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A existência das mensagens enviadas não significa, por si só, que os pedidos tenham sido atendidos ou que tenha ocorrido alguma irregularidade por parte das pessoas mencionadas.
Divulgação desencadeou confronto entre Moraes e Mendonça
A divulgação do material provocou uma forte reação de Alexandre de Moraes e aprofundou o desgaste entre os dois ministros.
Moraes apresentou acusações contra Mendonça relacionadas à condução das investigações dos casos Banco Master e INSS.
Entre as suspeitas levantadas pelo ministro estão possíveis práticas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Parte das acusações foi fundamentada em um relatório de inteligência da Polícia Federal que analisou a atuação de Mendonça em investigações sob sua responsabilidade.
Documento usado contra Mendonça tem valor probatório questionado
O relatório de inteligência utilizado nas acusações contra Mendonça passou a ser alvo de questionamentos.
O próprio documento da Polícia Federal registra que se trata de material de trabalho “sem valor probatório”.
A Intelis, entidade que representa profissionais de Inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também se manifestou sobre o caso.
Segundo a entidade, o conteúdo divulgado não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela doutrina da atividade de inteligência.
A Intelis ressaltou ainda que documentos dessa natureza são destinados à produção de conhecimento para subsidiar decisões e não devem ser confundidos com investigação criminal ou utilizados isoladamente para estabelecer autoria e materialidade de crimes.
A manifestação da entidade representa uma avaliação técnica da associação e não uma decisão judicial sobre a validade do material.
Fachin assume papel central na crise
Com o agravamento do confronto entre os ministros, Edson Fachin passou a atuar diretamente na condução institucional do episódio.
O presidente do Supremo retirou a representação apresentada por Moraes contra Mendonça do Inquérito das Fake News, relatado pelo próprio Moraes, e determinou que o material passasse a tramitar separadamente sob responsabilidade da Presidência do STF.
Fachin também solicitou esclarecimentos às autoridades envolvidas antes de decidir sobre os próximos passos.
O presidente do Supremo já afirmou publicamente que a resposta institucional à crise será “firme, proporcional e rigorosa” e ressaltou que as providências adotadas até o momento não representam julgamento antecipado das acusações.
Plenário terá de enfrentar caso envolvendo Moraes
Com a decisão de André Mendonça de liberar o caso relacionado às mensagens de Vorcaro para julgamento, a discussão poderá chegar diretamente aos demais integrantes do Supremo.
A data, entretanto, ainda não foi marcada.
Cabe a Edson Fachin definir quando o processo será incluído na pauta do Plenário.
A análise deverá colocar os ministros diante de questões sensíveis, entre elas os limites da atuação de um relator na determinação de diligências envolvendo outro integrante da própria Corte e a validade dos elementos produzidos durante a investigação.
O julgamento também ocorre em meio a uma divisão interna no Supremo sobre a maneira de enfrentar a crise.
Enquanto isso, os procedimentos relacionados às acusações trocadas entre Moraes e Mendonça continuam seguindo seus respectivos trâmites.
Reportagem: Angela Costa – TV Guarujá
Informações: Estadão, Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal e CNN Brasil












