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Cármen Lúcia pode definir voto de desempate no STF sobre investigação contra Alexandre de Moraes

Ministra afirma a interlocutores que não se submeterá a pressões internas; Corte está dividida sobre apuração envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

A ministra Cármen Lúcia pode assumir papel decisivo no Supremo Tribunal Federal (STF) na análise sobre o futuro das investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e suas relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Em meio à divisão interna da Corte, Cármen Lúcia afirmou a interlocutores que possui histórico de independência no Supremo e que não pretende se submeter a pressões de colegas para definir sua posição.

Segundo informações divulgadas neste domingo (6) pela CNN Brasil, a ministra tem ressaltado que seus votos serão definidos exclusivamente a partir dos autos dos processos, sem alinhamento automático a qualquer grupo dentro do tribunal.

A posição ganha relevância diante da possibilidade de Cármen Lúcia se tornar o voto decisivo em uma eventual votação sobre a abertura de investigação contra Moraes.

Caso está pronto para ser levado ao plenário

Também neste domingo, André Mendonça liberou para julgamento no plenário do STF o caso envolvendo Moraes e Vorcaro.

A definição da data em que o processo será analisado cabe agora ao presidente do Supremo, Edson Fachin.

O caso ganhou dimensão após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Alexandre de Moraes.

O material reúne 52 mensagens enviadas entre outubro e novembro de 2025. Entre os assuntos abordados, aparecem pedidos de ajuda feitos pelo então banqueiro em meio às investigações que antecederam sua prisão.

Moraes negou anteriormente ter recebido as mensagens mencionadas no relatório.

Como está a divisão no Supremo

A composição atual do STF e os posicionamentos projetados internamente podem transformar Cármen Lúcia em peça-chave na votação.

Segundo a apuração da CNN Brasil, Moraes deverá contar com pelo menos três ministros contrários à abertura de uma investigação: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Nos cálculos feitos por André Mendonça quando ainda conduzia o caso Master, outros três ministros poderiam apoiar o avanço da apuração contra Moraes: Luiz Fux, Edson Fachin e Kassio Nunes Marques.

Esses posicionamentos, no entanto, são projeções feitas a partir de conversas e avaliações internas e não representam votos oficialmente proferidos pelos ministros.

Outro fator que pode alterar o resultado é a participação de Dias Toffoli. Parte dos integrantes da Corte espera que o ministro mantenha o impedimento em processos relacionados ao Banco Master.

Caso esse cenário se confirme, Cármen Lúcia poderá assumir a posição de voto decisivo.

A própria configuração ainda pode sofrer mudanças até o julgamento.

Cármen Lúcia rejeita pressão de colegas

Segundo relatos de interlocutores, Cármen Lúcia vem recorrendo ao próprio histórico no tribunal para demonstrar que não integra grupos internos.

A ministra tem citado como exemplos seu apoio à criação de um código de conduta para integrantes do STF e sua posição favorável ao encerramento do chamado Inquérito das Fake News, aberto em 2019.

Em conversas reservadas, ela teria relatado sentir pressão de colegas diante da crise instalada na Corte.

Apesar disso, sinalizou que pretende analisar os casos de acordo com os elementos constantes nos processos.

A posição deverá valer tanto para a discussão sobre uma eventual investigação de Moraes quanto para as acusações apresentadas pelo próprio Moraes contra André Mendonça.

Relatório da PF aponta mensagens e contrato milionário

O relatório da Polícia Federal que está no centro da crise reúne informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro.

Além das mensagens atribuídas ao ex-banqueiro, documentos analisados pela PF incluem uma minuta relacionada ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

Segundo a investigação, metadados de versões do documento indicaram que um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” realizou a última edição de duas versões da minuta antes da assinatura.

O contrato firmado em janeiro de 2024 previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões durante três anos, totalizando aproximadamente R$ 130 milhões caso fosse cumprido integralmente.

O material divulgado não demonstra, por si só, que todos os pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos.

Moraes e Mendonça protagonizam crise no STF

A divulgação das informações provocou uma escalada da tensão entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal e encaminhou o material para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou a forma como a apuração foi conduzida e defendeu a anulação do relatório, sob o argumento de que a investigação de um integrante do próprio Supremo dependeria de autorização adequada.

Moraes, por sua vez, reagiu à atuação de Mendonça e apresentou acusações contra o colega relacionadas à condução dos casos Banco Master e INSS.

Diante do agravamento da crise, Fachin determinou que a representação de Moraes contra Mendonça tramitasse separadamente e sob responsabilidade da Presidência do Supremo.

Julgamento pode expor divisão interna da Corte

Com o caso envolvendo Moraes e Vorcaro liberado para julgamento, caberá a Fachin decidir quando o tema será levado ao plenário.

A análise poderá definir se haverá ou não prosseguimento formal das investigações envolvendo Alexandre de Moraes.

Até que os ministros efetivamente votem, não existe um placar oficial.

As projeções atuais indicam uma Corte dividida e colocam Cármen Lúcia no centro das articulações internas, mas novos acontecimentos ou mudanças de posição podem alterar o cenário antes do julgamento.

A decisão também ocorre em um momento de forte tensão institucional no STF, que enfrenta questionamentos públicos sobre as relações reveladas no caso Banco Master e sobre a atuação de seus próprios integrantes.

Reportagem: Angela Costa – TV Guarujá

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