Samir do Nascimento Rodrigues Carvalho recebeu pena de 123 anos e 4 meses após julgamento de dois dias; Justiça também determinou perda da graduação militar, do poder familiar e pagamento de indenizações
O sargento da Polícia Militar Samir do Nascimento Rodrigues Carvalho, de 42 anos, foi condenado a 123 anos e 4 meses de prisão pelo feminicídio da esposa, Amanda Fernandes Carvalho, e pela tentativa de homicídio qualificado contra a filha do casal, que tinha 10 anos na época do crime. A sentença foi anunciada na noite de quinta-feira (15), após dois dias de julgamento no Fórum de Santos, no litoral de São Paulo.
O crime aconteceu em 7 de maio de 2025, dentro de uma clínica médica em Santos. Amanda foi atingida por três disparos de arma de fogo e 51 golpes de faca. A filha também foi baleada, mas sobreviveu após permanecer internada por seis dias.
Penas ultrapassam 123 anos de prisão
O Tribunal do Júri fixou 90 anos de reclusão pelo feminicídio de Amanda e outros 33 anos e 4 meses pela tentativa de homicídio qualificado contra a menina. A pena foi estabelecida em regime inicial fechado.
A sentença também determinou a perda da graduação militar do condenado e do poder familiar sobre a filha. Além disso, foram fixadas indenizações por danos morais de R$ 100 mil aos herdeiros de Amanda e R$ 50 mil à criança, totalizando R$ 150 mil.
A decisão prevê o início imediato do cumprimento da pena, conforme informações divulgadas sobre o julgamento. A defesa, porém, anunciou que pretende recorrer da condenação.
Ataque ocorreu dentro de uma clínica em Santos
O crime aconteceu em 7 de maio de 2025, quando Amanda estava em uma clínica médica acompanhada da filha. Conforme os relatos reunidos durante a investigação, a mulher demonstrou preocupação com a presença do marido e buscou abrigo em uma sala do estabelecimento.
Após a chegada de policiais militares, Samir conseguiu acessar uma arma de fogo e disparou contra as vítimas. Em seguida, atacou Amanda com golpes de faca.
A mulher morreu no local. A filha foi socorrida e encaminhada ao hospital, onde permaneceu internada por seis dias antes de sobreviver aos ferimentos.
Samir foi preso em flagrante após o crime. O Ministério Público denunciou o policial por feminicídio e tentativa de homicídio qualificado.
Réu afirmou não se lembrar do dia do crime
Durante o julgamento, Samir declarou que não se lembrava do dia em que os ataques ocorreram. A defesa apresentou argumentos relacionados à condição do réu no momento dos fatos e informou que pretende contestar a decisão judicial.
A condenação foi definida pelos jurados após a análise das provas e dos depoimentos apresentados ao longo dos dois dias de sessão no Fórum de Santos.
Filho de Amanda relatou ameaças à família
Durante as manifestações relacionadas ao caso, Davi Fernandes Costa Carvalho, filho de Amanda, relatou que o sargento já apresentava comportamento agressivo e fazia ameaças à família.
Após a condenação, ele também manifestou o desejo de que o réu não volte a se aproximar dele nem dos demais familiares.
Defesa pretende recorrer da condenação
A sentença encerra o julgamento em primeira instância, mas a defesa anunciou que pretende recorrer. Eventuais questionamentos serão analisados pelas instâncias competentes, conforme os procedimentos legais.
O caso reúne a condenação pelo feminicídio de Amanda e pela tentativa de homicídio contra a filha do casal, além das consequências determinadas pela Justiça nas esferas militar, familiar e indenizatória.
Reportagem: Angela B. Costa
Informações: Tribunal de Justiça de São Paulo e Ministério Público de São Paulo

Samir do Nascimento Rodrigues Carvalho e a esposa, Amanda Fernandes Carvalho. Ele foi condenado a 123 anos e 4 meses de prisão pelo feminicídio da mulher e pela tentativa de homicídio qualificado contra a filha do casal.








