Trabalhadores rejeitaram proposta apresentada durante negociações do acordo coletivo; plano de saúde está entre os principais pontos do impasse
Trabalhadores dos Correios aprovaram uma greve nacional por tempo indeterminado após assembleias realizadas em praticamente todo o país. A paralisação também foi aprovada pelos funcionários da base de Santos e região, que abrange trabalhadores da Baixada Santista.
A decisão ocorre em meio às negociações da Campanha Salarial 2026/2027 e após uma nova rodada de tratativas entre representantes dos empregados, dos Correios e do Tribunal Superior do Trabalho (TST) terminar sem acordo.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), todas as 35 assembleias realizadas até a divulgação do balanço nacional aprovaram a paralisação.
Entre elas estão as bases de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Maranhão e Mato Grosso do Sul, filiadas à federação.
Baixada Santista participa da greve
Na região, os trabalhadores representados pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Santos e Região também decidiram aderir ao movimento.
Com isso, unidades dos Correios na Baixada Santista podem ter alterações no funcionamento durante a greve.
O impacto, entretanto, dependerá da adesão dos trabalhadores em cada unidade.
Por isso, não é possível afirmar que todas as agências ficarão fechadas ou que todas as entregas serão interrompidas.
A paralisação pode afetar diferentes etapas da operação postal, como atendimento ao público, triagem, distribuição e entrega de encomendas e correspondências.
Plano de saúde está no centro do impasse
Um dos principais pontos de divergência entre os funcionários e a estatal envolve o plano de saúde da categoria.
Os sindicatos contestam mudanças discutidas durante as negociações relacionadas à condição dos Correios como mantenedores do benefício.
Na avaliação das entidades representativas dos trabalhadores, eventuais alterações podem produzir impactos sobre o custeio e a assistência oferecida aos empregados, aposentados e familiares.
A manutenção do plano de saúde nas condições defendidas pela categoria tornou-se um dos principais pontos da mobilização.
Além da assistência médica, a Campanha Salarial envolve discussões sobre salários, benefícios e outros direitos previstos no Acordo Coletivo de Trabalho.
Reunião no TST terminou sem acordo
Antes da aprovação da greve, representantes das federações, dos Correios e do Tribunal Superior do Trabalho participaram de uma nova rodada de negociação.
A reunião ocorreu na quinta-feira (10).
Segundo a FINDECT, não houve avanço suficiente para a construção de um acordo, principalmente em relação ao plano de saúde.
Diante do impasse, as entidades sindicais levaram a proposta apresentada pela empresa para avaliação dos trabalhadores nas assembleias.
A categoria decidiu rejeitar os termos e aprovar a paralisação.
35 assembleias aprovaram greve
O balanço divulgado pela FINDECT mostra uma adesão ampla ao movimento.
Até a divulgação dos resultados, todas as 35 assembleias já realizadas haviam decidido pela greve.
Foram registradas aprovações em bases sindicais de São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e diversos outros estados.
No Acre, a assembleia ainda estava prevista para esta sexta-feira (11).
A abrangência das decisões levou as entidades sindicais a classificar o movimento como uma mobilização nacional dos trabalhadores dos Correios.
Clientes podem enfrentar impactos
Para a população, os efeitos da greve dependerão do nível de adesão em cada região e setor da empresa.
Na Baixada Santista, usuários que aguardam encomendas ou precisam utilizar serviços presenciais dos Correios devem acompanhar a situação das unidades.
Eventuais atrasos podem ocorrer principalmente se houver adesão significativa dos setores responsáveis pela triagem e distribuição.
A aprovação da greve, entretanto, não significa automaticamente a paralisação de 100% das atividades.
A continuidade de determinados serviços e o funcionamento das unidades dependerão da organização operacional durante o movimento e dos desdobramentos das negociações.
Sindicatos dizem que negociação continua aberta
Apesar da paralisação, as entidades que representam os trabalhadores afirmam que continuam abertas ao diálogo.
A intenção é pressionar a direção dos Correios e o governo federal pela apresentação de uma nova proposta capaz de superar o impasse.
A duração da greve dependerá do avanço das negociações.
Caso seja apresentado um novo acordo, os trabalhadores poderão ser novamente convocados para assembleias e decidir sobre a continuidade ou encerramento da mobilização.
Enquanto não houver entendimento, a greve permanece aprovada por tempo indeterminado.
A TV Guarujá acompanhará os reflexos da paralisação nas unidades dos Correios da Baixada Santista e eventuais mudanças nas negociações.
Reportagem: Angela Costa – TV Guarujá
Informações: FINDECT, SINTECT-Santos, Tribunal Superior do Trabalho e Correios











